segunda-feira, 14 de maio de 2007

Para Anderson, o escritor de um romance anônimo.
Ao som de um punhado de chaves.

Eis que os vejo ao longe, os reconheço pelos rumores de tambor, pelos ruídos das contas que se esfregam na cabaça... eles vem com semblantes tão pesados, pesados pois carregam o mar...As meninas com seus véus, são todas noivas deste peso...os rapazes tem camisas maiores do que os seus braços podem alcançar... Talvez porque elas sejam do tamanho exato da alma... Dentre eles existe um mascarado, tão pequeno e de impenetrável olhar, anda quase que despercebido ao não ser pelo som que produz com um tambor, um punhado de chaves, uma apito, e uma pá, todos os sons juntos são doces, e nos leva pras águas de saudade, e elas nos guiam as chaves com seus sons mágicos abrem as portas do infinito...chegamos a ver 3 rapazes que quase tocam o céu de tão altos, em cima da caixa que guarda a água, existe outro que nem precisa subir pois possui pernas tão compridas... Navegamos um pouco adiante, e percebemos que no local existem vários lenços brancos, nada mais propicio eu imagino, numa despedida marítima...acenar aos que partem e secar o oceano que lava o rosto da menina ancorada no porto...estão todos presos...saudosos...loucos,loucos...
Após percorrer alguns chegamos a Maria das Águas, que teve ancorada no corpo as ferrugens de homens ao mar...que fez de seu corpo um porto seguro...e como todo porto terminou só...ela de voz tão pura, tão imaculada, como só a das Marias, cantarola acompanhada por um acordeom triste e chaves ao fundo, a sensação é que fossemos também navios que ancoramos nela para a ouvir cantar e depois fomos embora... e que talvez por seus olhos d’agua, não queremos deixar...enfim a deixamos só com o canto...o mascarado nos leva a quem baila no céu, a um casal de amantes que se amam, num balanço, tão alto que a mão não alcança..do lado deles, uma mulher rodeada por lencinhos, sobre três degraus, lava numa bacia branca bonecas de plástico, lava a si mesma, lava seu passado, lava sua infância...no bonde está a que tem olhos e mãos de menina, que ao falar balança seu corpo, para frente e para trás, pois o mar também carrega tempestade e nos não permite ficar de pé... Na frente desta o rapaz que representa o medo, tão preso as amarras do outro em si...ao lado a moça dos espelhos, olha , olha tanto que é como não se visse a sua imagem refletida, ela já não se vê, porque não há espelhos, ela já não se reflete...As cartas, as juras que o mar traz em garrafas de promessas, são rasgadas, pois não há amor...a onda levou tudo...o mar pesa.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

No Balanço das Nuvens..

...havia um jardim, e em certa medida não era um jardim daqueles que estampavam os livros de histórias da escola, aqueles representados como os das flores e arvores. Aquele era o meu espaço, onde eu me desfasia do peso, peso de tudo, peso de mim, peso do olhar dele, e eu jogava tudo ali, exatamente naquele lugar de vento macio, tudo que me preenchia me excedia, pois por tantas vezes queria gritar, aprisionada por todos os medos da noite.Se tratava de um antigo forte, com seus fragmentos de canhões de batalhas, perdidas e ganhas e era justamente era dele, de um forte de uma fortaleza, que eu precisa naquele momento.No lado direito 6 antigas celas marcava o caminho que me levava a arvore, que segurava um balanço ou que era segurada por ele, de ahtigas cordas cheias de remendas e ao vê-lo, tão só qunato eu, me agarrei nele com as duas mãos, segurei forte e projetei meu corpo para cima, e fechei os olhos para fingir que estava voando, coida de outros balanços da infância onde balançava nas nuvens.

sábado, 17 de março de 2007


No meu caminho...

...sempre fui muito curiosa, e observei os detalhes, a tal ponto que faço micro filmes na minha imaginação, quando a tristeza me domina, me rompe, observo a chuva, atraves das janelas porque elas representam o lugar que ainda devo ir, e não sei se outra pessoa precebe o soave escorregar da agua por sobre a parede transparente que é a janela do ônibus, ver as pessoas se movimentar numa imagem lenta, estendendo os braços para ver se a chuva passou, ver os casais se abraçando para curar o frio... e penso quem vai curar essa dor, essa saudade de mim mesma, de ser menina quando não fugia da chuva e tomava banho nela, quando desenhava por sobre os vidros o meu coração que era tão leve e transparente... me sinto tão pequena hoje, como se todas as forças me dominassem e fizessem eu me esconder... me sinto quando segurava dois bonecos de pano, no cordel do amor sem fim... eu era o destino deles e balançava e leva eles para onde eu desejava...será que me tornei uma boneca de pano? e estou sendo carregada ao sopro destino? quando carregava e bailava no ar com meus bonequinhos eu proferia essas palavras'' o tempo é inimigo dos homens e o maor é inimigo do tempo'' e ele que me aquece, quando as gotas secam na janela do meu coração.

quinta-feira, 15 de março de 2007